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Linha d'água

ARCA D’ÁGUA DE PARANHOS

Vem dar um mergulho na História da Arca d’Água!

 
 
SABIAS QUE?

O Manancial de Paranhos foi o mais importante da cidade, devido à qualidade e quantidade da água das suas nascentes. As suas nascentes encontram-se no subsolo da atual Praça 9 de Abril, mais conhecida como Jardim da Arca d’Água. A água, que brota no subsolo, é a junção de várias nascentes existentes no local. Dali as águas seguiam em aqueduto de pedra em galeria subterrânea, indo alimentar várias fontes ao longo do seu percurso até ao centro da cidade.
 
O MANANCIAL

Também é conhecido como Manancial da Arca d’Água e Manancial das Três Fontes de Paranhos e não é conhecida a época em que foi iniciada a exploração da sua água. É referida uma fonte em Paranhos, em 1120, e já em meados do século XV sabe-se que no local existiam três fontes, o que justifica a sua denominação. Nestas referências, é provável que o termo fonte se refira a nascente.

A crescente demografia e a falta de água, apesar do grande número de fontes existentes no Porto em 1594, levou a que fosse feita uma petição ao rei D. Sebastião, para autorização para levar a água de Paranhos ao centro da cidade, dispondo-se, os locais, a contribuir nas despesas das obras de construção com 1000 cruzados. Apesar de D. Sebastião ter acedido ao pedido, só mais tarde, já no reinado de D. Filipe I (1527- 1598), foi emitido o alvará que permitia a obra, a 20 de novembro de 1597. Avaliada a viabilidade da obra, tendo em conta os custos e indemnizações a pagar aos proprietários dos terrenos que seriam atravessados pelo encanamento, foi emitido o alvará que permitia à Câmara pagar a obra com os rendimentos da Imposição do Vinho e Sal e dos excedentes do crescimento das sisas, aos quais se juntaram os 1000 cruzados doados pela comunidade. Esta provisão foi registada em chancelaria a 9 de abril de 1598.

Os primeiros passos da empreitada deram-se em finais de 1603, com a compra dos primeiros materiais a 11 de fevereiro de 1604. Nesta obra intervieram os mestres pedreiros Pantaleão Brás e Manuel Gonçalves, conjuntamente com os pedreiros Gonçalo Vaz, Gaspar Gonçalves e António João, com um orçamento de 3295$700 reis.

A primeira pedra foi colocada em 1603, acompanhada de cerimónia solene. Contudo, as obras só terão iniciado a 12 de março de 1604, prosseguindo até 17 de setembro de 1605. A água de Paranhos chegou ao centro da cidade em meados de 1606, aos chafarizes de São Domingos e da Rua Nova.
 
  • Desenho da Arca d’Água de Paranhos com plantas e cortes da Arca Velha e Arca Nova, 1903 – escalas 1.200 e 1.50, Arquivo Histórico AEdP.

    Desenho da Arca d’Água de Paranhos com plantas e cortes da Arca Velha e Arca Nova, 1903 – escalas 1.200 e 1.50, Arquivo Histórico AEdP.

  • Antiga Arca de acesso à cisterna em 1908. Arquivo Histórico AEdP.

    Antiga Arca de acesso à cisterna em 1908. Arquivo Histórico AEdP.


A construção do manancial, da chamada Arca Velha, e a sua rede de galerias subterrâneas, foi a grande obra levada a cabo para garantir água à cidade, podendo ser considerado como o 1º projeto de sistema de abastecimento do Porto. O panorama que o antecedeu era o abastecimento através de recursos próximos, o que justifica a malha urbana da cidade que se desenvolveu junto à margem do rio. Com o aumento populacional e o crescente consumo de água, foi necessário construir uma rede de transporte de água de esquema gravítico, dentro da cidade muralhada. E para o abastecimento direto da comunidade, e porque foi resultado da iniciativa pública, foram construídos chafarizes públicos ao longo do percurso das galerias subterrâneas. 

O sistema primitivo foi sendo melhorado ao longo dos tempos, sendo que o traçado original consistia num percurso subterrâneo. 

 
MAIS ÁGUA

Mais tarde incorporou-se no manancial outro aqueduto, que já se encontrava em construção desde 1789, que provinha do Manancial de Salgueiros, que tinha origem na atual Rua Antero de Quental, onde existiam várias nascentes. As águas de Paranhos e Salgueiros chegavam à Arca do Mercado do Anjo, aumentando o caudal de água que alimentava a cidade. Estas águas chegaram à cidade a 7 de agosto de 1838, e corriam em caleiras abertas no granito, ou em tubos de ferro ou chumbo, no interior de galerias subterrâneas; partes do percurso eram feitas à superfície.
 
UM SEGREDO

Atualmente ainda existe, sob o Jardim da Arca d’Água. O acesso é feito através de um alçapão aberto no solo, a partir do qual se desce até à construção em arcaria que protege as nascentes que constituem o Manancial. A partir daí, as águas seguem, em aquedutos subterrâneos, até à Arca de Sá Noronha, na Praça Gomes Teixeira, em frente à Reitoria da Universidade do Porto, que encaminha a água até algumas fontes públicas.
 
  • Arca Nova do Manancial da Arca d’Água em 2024.

    Arca Nova do Manancial da Arca d’Água em 2024.