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Fonte da Praça da Ribeira, do medievo ao contemporâneo

Escavações arqueológicas na década de 1980 que revelaram os elementos do tanque do antigo chafariz da praça, aproveitados na obra contemporânea


A Fonte da Ribeira tem origem no século XVIII, herdando o papel de ponto de abastecimento na praça, de um chafariz de aparato do século XVII. Este chafariz sobrevive, interpretado a partir das pedras do seu tanque, na obra “O Cubo”, da autoria de José Rodrigues, datada de 1983. O desenho recortado do tanque reflete um gosto barroco, o que nos diz que o chafariz desempenharia um elemento de ornamento de destaque na praça. Em 1980 o local foi alvo de uma escavação arqueológica de Armando Coelho Ferreira da Silva. Foram encontrados, a cerca de um metro de profundidade da Praça da Ribeira, os vestígios do antigo chafariz, ao centro da praça.  

A existência de uma fonte de água na praça é transversal à história da praça, apesar de esta nem sempre ter tido a configuração atual, sempre foi um ponto de afluência. 

A Praça da Ribeira é de raiz setecentista e desenvolve-se associada ao rossio medieval, desempenhando desde as origens da cidade, funções alfandegárias, com a chegada de barcos comerciantes, funções comerciais através do cais da Ribeira e funções piscatórias, pela sua proximidade com o Rio Douro. Funções eternizadas pela Rua dos Mercadores que ladeia a fonte, não fosse a praça junto a uma das portas de entrada da muralha fernandina da cidade, a Porta da Ribeira. Mais tarde, com a abertura do eixo que a ligava à zona alta da cidade, a Rua de São João, que também denomina a Fonte da Ribeira como Fonte de São João, foi-lhe conferida a configuração atual. A sua organização, que em planta se abre para o Rio, sofreu uma reforma impulsionada pela Junta das Obras Públicas, no período almadino, o que lhe conferiu o gosto moderno, presente na uniformização das fachadas com pórtico em arcada. A sua arquitetura reflete a tipologia de fonte pública “dos almadas”, período caracterizado pela construção de fontes de espaldar normalmente encostado ou adossado a um muro ou edifício, respondendo aos preceitos de modernização da cidade que assentavam na valorização do espaço público e nas ruas amplas, privilegiando a circulação, de acordo com os ideais iluministas da época. 

Integra a zona classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1996, o Centro Histórico do Porto. 

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