Chafariz do Convento de São Bento de Avé Maria, uma obra do mestre dos chafarizes
João Lopes, o Velho terá nascido nos finais do século XV em Arcos de Valdevez, pertencente a uma importante família de artistas da pedra, e que faleceu em meados do século seguinte. Foi o responsável pela obra de pedra do Convento de São Bento de Avé Maria, mandado edificar por D. Manuel I no terreno atualmente ocupado pela Estação de Comboios de São Bento. Pelo que se assume que terá sido o autor do risco do chafariz que se encontrava no claustro do convento.
Sobre a alçada do mestre, João Lopes, o Velho, funcionava uma oficina em Ponte de Lima que manteve atividade desde os anos 40 do século XVI até meados do século seguinte, com atividade em Amarante, Vila do Conde, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Guimarães, Vila Pouca de Aguiar, Travanca e Porto. A afirmação regional da oficina deveu-se à introdução de motivos decorativos de importação aplicados à arquitetura. O mestre foi pioneiro na introdução do gosto “ao romano”, ou renascentistas, marcando a progressiva transição do gosto gótico. Conhecia a linguagem clássica aprendida com os biscainhos do plateresco, artistas espanhóis galegos que trabalharam nesta cronologia em Braga, Vila do Conde, Viana do Castelo e Lamego. E com Pêro Galego, seu sogro, mestre pedreiro conceituado pelo Norte de Portugal e zona da Galiza, em Espanha.
A formação do mestre em motivos “lombardos” e ornatos “grotescos” vem dos tempos do discipulato de Pero Galego, de quando integrou, a partir de 1508, a equipa dos biscainhos a trabalhar nos portais da matriz de Caminha. Foi esta experiência e aprendizagem que mais tarde criou à sua oficina uma clientela ávida pelo novo gosto, e que tenderia a vê-la como contraponto ao repertório decorativo usualmente associado ao estilo “manuelino”, o que agradaria à burguesia emergente que ditaria o estatuto da oficina.
A evolução para as formas do novo “gosto ao romano” deu-se pela adoção de novos motivos ornamentais estudados em tratadística, moldados ao gosto vernacular, em arquitetura em continuidade com as góticas. João Lopes é entendido como herdeiro e representante do sistema construtivo gótico, continuador do gosto “ao romano”, com influências do hispano-flamengo, ancorado na tradição nortenha e galega.
O Convento reflete já o pensamento “ao romano” que se ia fazendo notar entre o “manuelino”, nos capiteis, nos fustes, nas suas bases e cimácios. Num programa decorativo austero e contido, respeitando a clausura feminina. Embora a obra ter sido entregue ao mestre apenas com a condição de «(…) boa obra que bem pareça (…).», o Chafariz remete-nos já para o “novo gosto”. Destaca-se o friso decorativo de óvulos e em denticulado, a coluna de fuste canelado que suporta a primeira taça, a taça em gomos e os elementos figurativos, no caso da primeira taça, rostos ladeados por duas asas, que nos parecem putti alados; denotando um conhecimento da linguagem clássica e em particular, da ordem jónica. Os elementos figurativos que decoram a taça de menores dimensões e o remate, podem ser entendidos como carrancas, em análise comparativa com chafarizes da mesma autoria. Tais como o Chafariz da Praça da Rainha em Viana do Castelo (1554), o Chafariz da Praça Municipal de Caminha (1551) e o Chafariz da Plaza de la Herrería em Pontevedra (1549), excetuando o Chafariz de São Domingos no Porto (1544), que não chegou até nós, senão vestígios reutilizados no Chafariz do Laranjal.
A João Lopes, o Velho, ficou atribuído este modelo de chafariz de taças que conjuga os dois gostos e marcaram a transição para o “novo gosto” no Norte de Portugal e Galiza. Uma tradição que o seu filho, João Lopes, o Novo, perpetuou, com o risco de chafarizes já dentro do gosto “maneirista”.
Para saber+ sobre o Chafariz do Laranjal clicar aqui.
Sobre a alçada do mestre, João Lopes, o Velho, funcionava uma oficina em Ponte de Lima que manteve atividade desde os anos 40 do século XVI até meados do século seguinte, com atividade em Amarante, Vila do Conde, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Guimarães, Vila Pouca de Aguiar, Travanca e Porto. A afirmação regional da oficina deveu-se à introdução de motivos decorativos de importação aplicados à arquitetura. O mestre foi pioneiro na introdução do gosto “ao romano”, ou renascentistas, marcando a progressiva transição do gosto gótico. Conhecia a linguagem clássica aprendida com os biscainhos do plateresco, artistas espanhóis galegos que trabalharam nesta cronologia em Braga, Vila do Conde, Viana do Castelo e Lamego. E com Pêro Galego, seu sogro, mestre pedreiro conceituado pelo Norte de Portugal e zona da Galiza, em Espanha.
A formação do mestre em motivos “lombardos” e ornatos “grotescos” vem dos tempos do discipulato de Pero Galego, de quando integrou, a partir de 1508, a equipa dos biscainhos a trabalhar nos portais da matriz de Caminha. Foi esta experiência e aprendizagem que mais tarde criou à sua oficina uma clientela ávida pelo novo gosto, e que tenderia a vê-la como contraponto ao repertório decorativo usualmente associado ao estilo “manuelino”, o que agradaria à burguesia emergente que ditaria o estatuto da oficina.
A evolução para as formas do novo “gosto ao romano” deu-se pela adoção de novos motivos ornamentais estudados em tratadística, moldados ao gosto vernacular, em arquitetura em continuidade com as góticas. João Lopes é entendido como herdeiro e representante do sistema construtivo gótico, continuador do gosto “ao romano”, com influências do hispano-flamengo, ancorado na tradição nortenha e galega.
O Convento reflete já o pensamento “ao romano” que se ia fazendo notar entre o “manuelino”, nos capiteis, nos fustes, nas suas bases e cimácios. Num programa decorativo austero e contido, respeitando a clausura feminina. Embora a obra ter sido entregue ao mestre apenas com a condição de «(…) boa obra que bem pareça (…).», o Chafariz remete-nos já para o “novo gosto”. Destaca-se o friso decorativo de óvulos e em denticulado, a coluna de fuste canelado que suporta a primeira taça, a taça em gomos e os elementos figurativos, no caso da primeira taça, rostos ladeados por duas asas, que nos parecem putti alados; denotando um conhecimento da linguagem clássica e em particular, da ordem jónica. Os elementos figurativos que decoram a taça de menores dimensões e o remate, podem ser entendidos como carrancas, em análise comparativa com chafarizes da mesma autoria. Tais como o Chafariz da Praça da Rainha em Viana do Castelo (1554), o Chafariz da Praça Municipal de Caminha (1551) e o Chafariz da Plaza de la Herrería em Pontevedra (1549), excetuando o Chafariz de São Domingos no Porto (1544), que não chegou até nós, senão vestígios reutilizados no Chafariz do Laranjal.
A João Lopes, o Velho, ficou atribuído este modelo de chafariz de taças que conjuga os dois gostos e marcaram a transição para o “novo gosto” no Norte de Portugal e Galiza. Uma tradição que o seu filho, João Lopes, o Novo, perpetuou, com o risco de chafarizes já dentro do gosto “maneirista”.
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