Parque patrimonial das águas

Reconhecimento internacional pela UNESCO- IHP GLOBAL NETWORK OF WATER MUSEUMS. 

Os museus, os arquivos e os parques patrimoniais são um veículo de proteção do património material e imaterial e da diversidade cultural e natural e desempenham um papel de grande relevância na promoção de uma economia local e regional criativa e proactiva. São plataformas de reflexão, discussão e debate nos campos técnico, social e cultural, abordando no seu quotidiano de funcionamento questões complexas as quais, quando dinamizados, incentivam a participação das comunidades ligadas ao sector e da sociedade civil em geral.

Este reconhecimento e galardão, atribuído em Janeiro de 2021, ao Parque Patrimonial das Águas (Águas do Porto, E.M.) pela GLOBAL NETWORK OF WATER MUSEUMS - UNESCO-IHP, para além de significar uma valorização é uma certificação de qualidade e valor patrimonial e potenciará a sustentabilidade e afirmação nacional e internacional de uma plataforma já reconhecida pela secção portuguesa da Unesco e pela Agência Portuguesa do Ambiente.
Espera-se que a preservação de um património singular associado à história de quatro séculos de infraestruturação urbana no campo do abastecimento de água, do aproveitamento de água de mina e de manancial e do escoamento de águas residuais e pluviais, considerando os campos do Património, Ambiente, Território, Infraestruturas e Sustentabilidade, contribua para a afirmação da cidade do Porto como “Cidade das Águas”.

Pretende-se que este galardão seja também uma retaguarda para a criação de novos públicos e para a capacitação de recursos humanos, de investigadores e técnicos, de especialistas na inventariação, documentação e conservação de acervos, fundos e colecções que conglomeram material e imaterialmente objectos, documentos, testemunhos e sítios arqueológicos julgados relevantes para o entendimento do processo geral de criação de urbanidade no que respeita às redes e equipamentos de pendor sanitário e higienista.

Com a missão de internacionalização, segundo estratégias de difusão e tendo como objectivo geral o acesso, podemos afirmar que, nas suas linhas orientadoras, conceito, estratégia, plano, programa e acções, para além da salvaguarda, divulgação e preservação, pretende proporcionar a informação e interpretação científica e técnica, algo que se encontra actualmente em processo de dinamização nas esferas da pesquisa, comunicação, difusão e formação e educação de públicos, especialmente destinados às novas e novíssimas gerações, sem omitir, como nos parece premente, as necessidades diárias do serviço da empresa municipal através do seu trabalho técnico, nem a investigação científica interna e externa, sem esquecer as solicitações académicas, e, por último, do público que pretende envolver.

Considerando o valor intrínseco de um parque patrimonial com as características deste – um espaço que não se cinge a um museu ou a um arquivo, a colecções ou fundos, mas sim a um conjunto patrimonial que conjuga a vertente documental com a objectual, o analógico com o digital, o “construído” com o parque natural, o sítio arqueológico centenário com a estrutura técnica e tecnológica contemporânea – podemos afirmar que, como zeladores do património, conscientes do seu papel fulcral no estímulo à criatividade, na geração de oportunidades para as indústrias criativas e culturais, e para o entretenimento, o objecto de candidatura que, genericamente chamamos de “Parque Patrimonial das Águas” e que se apoio num sistema multipolar distribuído pelo território portuense e do Grande Porto (municipal e intermunicipal, portanto) e com o seu núcleo central na Quinta de Vilar das Oliveiras onde se situa a sede da Empresa, já se constitui hoje num espeço de ciência e de lazer, com evidências claras que contribui para o bem-estar material e imaterial dos seus utilizadores, tanto ao nível do ócio como da conquista de novas fontes de conhecimento.

As cidades são reflexo da Humanidade e da sua condição e, à sua semelhança, vão-se transformando. Como sua obra, são uma das materializações evidentes do conflito eterno entre memória e esquecimento e, nesse longo processo, deixaram “sobreposições de camadas” no espaço e no tempo (muitas invisíveis, mas influentes na nossa equação como seres urbanos, construtores de urbanidade). No âmbito do jogo eterno entre visibilidades e invisibilidades, surge-nos a “cidade das águas” e a sua génese contemporânea – uma “cidade” intermitente pelas fortes transformações neste sector – importante para compreender e superar as contradições de um dos serviços industriais públicos mais estratégicos da actualidade e entendermos a relevância da água como bem essencial. No caso português, o Porto é, definitivamente, um exemplo singular e, também por isso, como “parque patrimonial territorial”, se tentará potenciar o reconhecimento pela UNESCO, Agência das Nações Unidas.